Emprego

Telecom precisa assumir papel de liderança na adoção da agenda ESG


O setor de telecomunicações é transversal, atravessa praticamente todos os âmbitos da economia, investe muito dinheiro no próprio desenvolvimento e impacta a vida de todo cidadão. Por isso mesmo, as empresas da área não podem se eximir da responsabilidade de abraçar a agenda ESG – sigla que em inglês traduz compromissos ambientais, sociais e de governança corporativa.

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A percepção foi compartilhada por lideranças das operadoras brasileiras nesta terça, 28, no Painel Telebrasil. Participaram Luciano Santos do Rego, Diretor da Huawei; Luis Lima, Vice-Presidente da Algar; Luiz Gabriel Azevedo, Division Chief da IDB Invest; Mario Girasole, Vice-Presidente da TIM; Renata Bertele – Vice-Presidente da Oi; Renato Gasparetto, Vice-Presidente da Vivo; Roberto Catalão, Vice-Presidente da Claro; e Nelmara Arbex, KPMG Partner.

Luciano Santos do Rego, da Huawei, afirmou que tem observado preocupação crescente das operadoras com o assunto e que a fabricante trabalha já há oito anos com o desenvolvimento de soluções de energia que levem a redução do consumo e economia de carbono. Neste ano, a companhia criou uma divisão que reúne essas soluções energéticas.

Ele também lembrou que a Huawei investe na formação de profissionais letramento tecnológico, iniciativa que também faz parte das estratégias ESG. “A gente tem que transformar essa agenda em soluções práticas”, resumiu.

Luis Lima, da Algar, ressaltou que não é de hoje o compromisso da empresa com o ESG. A tele mineira trabalha para reduzir sua pega ambiental. Atualmente, 66% da energia que consome vem de fontes renováveis. A meta é chegar a 2024 com 100% desse consumo sendo renovável.

Outro ponto sensível, ressaltou, é o respeito à diversidade. “Não dá mais pra viver num mundo em que se considera que as empresas não serão diversas”, lembrou. Por isso a Algar tem programas internos para contratação de funcionário com metas de diversidades, além de treinamentos voltados à inclusão. “O ESG é importante até para a atração de talentos. Hoje ninguém quer trabalhar em empresa que não tenha essas preocupações”, completou.

Lucro com propósito

Para Luiz Gabriel Azevedo, Division Chief do IDB Invest, braço de investimentos sociais do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o ESG traz à luz o conceito de que o desenvolvimento sustentável retroalimenta o sucesso da empresa.

“O lucro é condição necessária para a empresa focada em ESG. Não existe sustentabilidade sem lucro”, ressaltou. E cobrou mais ação de todos, especialmente do que diz respeito às questões ambientais. “[O que estamos fazendo] Não está sendo suficiente. Estamos vendo os efeitos da mudança climática, incendios, nevascas, secas entraram na rotina, se tornaram parte do novo normal. Temos que fazer mais, mais rápido e de forma mais eficiente”, cobrou.

As empresas precisam abraçar a meta de evitar que haja aquecimento global acima de 1,5º até 2030, estabelecido no Tratado de Paris. “Nenhum cientista ou pesquisador arrisca prever qual o impacto sobre os negócios diante de um aumento de 2º”, avisou.

Mais ação

Mario Girasole, da TIM, concorda. A seu ver, o ESG faz sentido se cada empresas entender que para alcançá-lo precisa potencializar as próprias capacidades. No seu caso, a TIM tem investido em metas de cobertura de rede, aumento da eficiência energética e diversidade.

Para o executivo, as operadoras podem fazer ainda mais, juntas. “A agenda setorial poderia ser até mais propositiva. Deveríamos falar mais sobre isso ao longo do ano. Não existe ESG se não houver a capacidade da empresa de fazer bem o seu trabalho, que no caso são redes e telecomunicações. Nosso plano ESG é trienal, e a meta é chegar com 4G em todas as cidades e reduzir as reclamações dos consumidores. Planejamos aumentar em 80% a ecoeficiência dos dados. E incrementar acima de 90% o uso de energia renovável”, elencou.

Ele explica que os investidores cobram mais responsabilidade corporativa, o que levou a TIM a lançar este ano bonds ESG. E resume: “ESG não é sustentabilidade. O ESG nasce para permitir que o negócio se abasteça de insumos que permita ao negócio gerar externalidades positivas. Temos um protagonismo, sem dúvida, a ser explorado”.

Roberto Catalão, da Claro, também pensa assim. “Nosso entendimento é que segmento de telecom tem papel fundamental nessa agenda, e precisa exercer esse papel”, destacou em sua fala. E frisou que o mercado financeiro tem dado cada vez mais importância ao assunto. “Quando a gente fala de acesso ao crédito, a agenda ESG tem se tornando cada vez mais importante. No curto prazo, você não vai ter custos competitivos se não estiver envolvido nessa agenda. Engana-se quem acha que está desatrelado à pauta financeiro, vejo como algo circular”, comentou.

Na Oi, a preocupação com ESG tem sido constante também. Renata Bertele contou que a tele tem diversas iniciativas de impacto socioambiental e de governança. “Atendemos 40 mil escolas urbanas e 4 mil escolas rurais antes do ESG. O ESG conseguiu fazer a conexão entre os temas de responsabilidade. Hoje, toda tomada de decisão tem que considerar o ecossistema em que estamos inseridos”, falou.

Renato Gasparetto, da Vivo, contou que a tele já procura extravasar as iniciativas de ESG, fazendo seus fornecedores embarcar nas metas. “Os investidores se preocupam com nossa cadeia de valor. Somos intensivo em investimentos. Fica sempre a questão sobre o que estamos fazendo para além da nossa empresa, mas do ponto de vista dessa cadeia. Começamos este ano um programa robusto de avaliação dos fornecedores”, disse.

Ele contou que dos 1,3 mil fornecedores, 515 foram identificados como emissores de gases estufa e por isso mereceriam atenção especial. “Esse processo acabou resultando em um assesment que está em curso para ajudar em plano de ação das empresas. Nosso propósito é diminuir em 39% as emissões da nossa cadeia de valor até 2025 e zerar as emissões líquidas até 2040. Como conseguimos então ter essas responsabilidade mais compreensiva do nosso papel na cadeia de valor”, afirmou.



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